31 março 2009

Jogando a toalha para a realidade

Era uma vez um time multi-campeão que fazia cem anos...

...e tinha a esperança de ser campeão novamente. Eu sei que você que acompanha a NHL minimamente sabe que estou falando do Montreal Canadiens. Eu sei também que você deve estar se perguntando: "Como assim tinha? Montreal não está eliminado dos playoffs e da briga pelo título!". Sim, caro leitor, eu sei que não está eliminado. Mas está coluna vai mostrar que o time franco-canadense não conquistará seu 25º título dessa vez. Eu não gosto de usar números para explicar meus pontos. Pessoalmente odeio estatísticas, então vou me limitar em expor os problemas que afetam a franquia na sua 100ª temporada de existência.

O time quebecois começou a temporada como um dos favoritos à conquista da Conferência Leste, credenciado pela primeira colocação na temporada regular ano passado. Os reforços de Tanguay, Laraque e Lang pareciam boas reposições para perda de jogadores como Ryder e Smolinski. Só faltava uma peça para substituir o bom defesa Mark Streit que aceitara um caminhão de dinheiro para ir jogar (penar) no Nassaum Colliseum. O jovem técnico e outrora ídolo no gelo, Guy Carboneau parecia ter tudo sobre controle no banco.

A temporada começa, e de setembro até o dia de hoje o time enfrenta a síndrome da montanha-russa. Horas por cima, horas por baixo. No início tudo parecia bom, o recém-contratado Tanguay se entendia bem o capitão Koivu, marcando vários pontos e dando vitórias ao time. Mas eis que ambos, Saku e Alex, se machucam em um curto período. Não só ele mas como Mike Komisarek, titular da linha 1 de defesa. Esse foi o primeiro e grande problema. Contusões em um time que não tem peças de reposição. Andrei Kostitsyn não estava tendo a mesma boa produção do ano passado e o principal pontuador Alex Kovalev estava simplesmente sumido. Mas vamos deixar Kovalev para daqui a pouco.

O fato é que as coisas não pioraram muito por dois motivos. O primeiro: O desacreditado, e fato de o GM Bob Gainey ser criticado por gastar muito dinheiro com um jogador como ele, Robert Lang, assumiu a responsabilidade. O veterano center chamou a responsabilidade e começou a fazer gols e inúmeras assistências, subindo para a linha 2 no lugar do sumido Plekanec. O segundo fator foram os jovens garotos que subiram para o time principal. D'Agostini, Pacciorety, Stewart, Henry, entre outros, foram "subidos" do time da AHL, Hamilton Bulldogs, e jogados na fogueira da NHL. E eles deram conta e manteram o Habs entre os 4 primeiros.

Mas como tudo que é bom dura pouco, Robert Lang se machuca em um jogo e está de fora pelo resto da temporada. O goleiro com pinta de nova estrela do Hockey mundial, começa a ter atuações pífias misturadas com contusões estranhas e seguidas que o tirava de três ou quatros jogos. A defesa vai de mal a pior. O astro Kovalev, criticado pela sua falta de motivação e emoção no gelo, teria dito à amigos da comunidade russa da cidade que os garotos eram o motivo do time estar mal. Steve Begin, Mathie Dandenault e Georges Laraque reclamam que não tem espaço e pedem para sair. O time cai na tabela. Nesse cenário que o sempre acomodado GM Bob Gainey resolve fazer algo.

Ele troca o ala Begin e mais escolhas pelo defensor, uma vez campeão pelo Habs, Mathieu Schneider, que chega para suprir aquele lugar que o Streit deixara no começo do ano. Kovalev é afastado do time para pensar na vida. Tanguay e Koivu voltam de contusão. Halak assume o gol por 5 jogos seguidos. O técnico Guy Carboneau é demitido e Gainey assume o time. O center Metropolit chega trocado por Begin, para assumir o papel que era de Lang. Dandenault, Kovalev e Sergei Kostitsyn voltam ao time. Price volta ao gol. Mas vamos ao que interessa. Foram boas decisões? O time melhorou?

Primeiro que independente das repostas, foi bom Gainey mostrar que não estaca acomodado com a situação. Kovalev merecia mesmo um descanso forçado. Schneider e Metropolit não fazem chover mas cumprem seus papéis de modo que o time não precise depender dos garotos. Halak jogou bem, mas Price voltou ao gol com suas atuações irregulares. O time ganhou alguns jogos mas continuou incostante. Begin não faz falta.

Mas eis que em meio de turbilhão de eventos, o dono da franquia Canadiens anuncia que está pensando em vende-la. "Como assim?" você se pergunta. O dono do Habs não é mais nada que um investidor que possui investimentos em vários lugares. É dono do Liverpool por exemplo. Ele alega estar com problemas financeiros (assim como 85% do globo).

Mas onde tudo isso leva ao ponto de eu afirmar no começo do texto que Montreal não será campeão? Um time que possui um goleiro jovem e instável, onde sua estrela não produz nada, seu capitão vive machucado, seu maior pontuador está fora da temporada, sua base é composta por jogadores jovens e sua defesa possui veteranos que pouco produzem, não será campeão da NHL. Sim, é simples assim. O time ainda corre o risco de ficar fora dos playoffs, quando apenas um ponto o separa do primeiro time fora da zona da eliminação, o que seria o maior vexame da história.

Bruno Sader escreve pela primeira vez em mais de um ano de NHL Brasil, uma matéria sobre seu time de coração, e deixa um abraço para os companheiros de blog que ele abandonou.

Marcelu editou a matéria original postada pelo queridíssimo?!?! Bruno Sader colunista deste Blog, depois de o mesmo arranjar um espaço em sua ocupada agenda semanal...

3 comentários:

Juan Valencia disse...

A Culpa é do Price haahahaahhahahha

1 de abril de 2009 00:08
Fernnando disse...

Po muito boa a análise do bruno, é complicado um time no seu centenário nao conseguir chegar aos playoffs, algo tao corriqueiro na vida dos canadiens, ou sair logo de cara neh

1 de abril de 2009 14:41
Igor Veiga disse...

Montreal rumo a Stanley!... de 2015
:P

3 de abril de 2009 14:09
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